A perda auditiva costuma ser gradual
Poucas pessoas acordam um dia sem ouvir bem. Na maioria dos casos, a perda auditiva aparece aos poucos, ao longo de meses ou anos. O cérebro se adapta, a pessoa passa a compensar sem perceber (aproximando-se de quem fala, prestando mais atenção aos lábios, aumentando um pouco o volume) e, quando o problema finalmente é notado, ele já interfere na comunicação, no trabalho e nas relações.
Por isso, quanto antes você reconhecer os sinais de alerta, mais cedo poderá investigar o que está acontecendo. Muitas vezes, quem percebe primeiro não é a própria pessoa, mas o marido, a esposa, os filhos ou os colegas de trabalho.
Sinais mais comuns de perda auditiva
Se você se identifica com um ou mais dos pontos abaixo, vale prestar atenção:
- Dificuldade para entender conversas, principalmente em locais barulhentos. Restaurantes, festas, reuniões e encontros em família costumam ser os primeiros ambientes em que o problema aparece. Você escuta que alguém está falando, mas não consegue entender as palavras.
- Necessidade de aumentar o volume da televisão. Se as outras pessoas da casa reclamam do volume, ou se você percebe que precisa de um nível mais alto do que antes, é um sinal importante.
- Pedir com frequência que as pessoas repitam o que disseram. O famoso “o quê?” ou “como?” que se repete várias vezes ao longo do dia.
- Evitar ambientes sociais por não conseguir acompanhar as conversas. Esse é um dos sinais mais delicados: a pessoa deixa de sair, de participar de almoços e reuniões e se isola, muitas vezes sem contar o motivo real.
Além desses, outros sinais que costumam ser relatados em consultório incluem zumbido (apito ou chiado no ouvido), sensação de ouvido tampado, dificuldade para entender o que é dito ao telefone e a impressão de que “todo mundo fala baixo ou murmura”.
Nem toda perda auditiva é igual
A palavra “perda auditiva” engloba situações bem diferentes. Em termos gerais, ela pode estar relacionada a um problema na condução do som até o ouvido interno (como acúmulo de cera, inflamações ou líquido no ouvido), a uma alteração nas estruturas internas do ouvido ou do nervo auditivo, ou a uma combinação dos dois. Algumas causas são totalmente tratáveis; outras exigem acompanhamento e reabilitação.
Essa diferença é uma das razões pelas quais a avaliação com um especialista é importante: sem examinar o ouvido e medir a audição, não há como saber a origem do problema nem qual é a melhor conduta.
Quem deve ficar atento
Existe a ideia de que a perda auditiva é “coisa de idoso”. Ela é mais comum com o avanço da idade, mas não é problema só da terceira idade.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de jovens de 12 a 35 anos estão em risco de perda auditiva por exposição a som alto no lazer, como o uso de fones de ouvido em volume elevado e a frequência a shows e festas. Ou seja, hábitos comuns do dia a dia, repetidos por anos, podem cobrar o preço mais tarde.
Outro grupo que merece atenção são as pessoas com doenças crônicas. Segundo a pesquisadora Alessandra Samelli, da Faculdade de Medicina da USP (FM-USP), condições como diabetes e hipertensão também aumentam o risco de perda auditiva. Se você tem uma dessas doenças, incluir a audição no seu acompanhamento de saúde é uma atitude preventiva importante.
Por que não adiar a avaliação
É tentador deixar para depois. “Ainda dá para ouvir”, “é só no barulho”, “deve ser cansaço”. Mas há bons motivos para não esperar.
Estudos brasileiros associaram a perda auditiva a declínio cognitivo mais rápido. Entre as explicações possíveis estão a menor estimulação do cérebro, que recebe menos informação sonora, e o isolamento social, já que quem ouve mal tende a participar menos de conversas e atividades.
É importante ser claro: trata-se de uma associação, e não de uma prova de que a perda auditiva causa, sozinha, o declínio cognitivo. Ainda assim, o dado mostra por que a audição merece atenção e por que cuidar dela faz parte de cuidar da saúde como um todo, incluindo o convívio, o bem-estar e a qualidade de vida.
Além disso, quanto mais cedo a causa é identificada, mais opções existem. Alguns problemas, como a obstrução por cera ou processos inflamatórios, podem ser resolvidos com tratamento simples. Em outros casos, o acompanhamento precoce permite orientar hábitos, monitorar a evolução e, se necessário, indicar o uso de aparelho auditivo no momento adequado.
Como é a avaliação
A avaliação é feita pelo otorrinolaringologista, o médico especialista em ouvido, nariz e garganta. Em geral, ela começa com uma conversa sobre seus sintomas, seu histórico de saúde, o uso de medicações e a exposição a ruído. Em seguida, o médico examina o ouvido para verificar o conduto auditivo e as estruturas visíveis.
Quando necessário, o especialista pode solicitar a audiometria, o exame que mede a audição. Ele mostra quanto você escuta em diferentes frequências, dos sons graves aos agudos, e ajuda a identificar se existe perda auditiva, em qual grau e em qual ouvido.
A partir do resultado, o otorrinolaringologista define a conduta: se há necessidade de tratamento, de acompanhamento periódico ou de uso de aparelho auditivo. O exame é simples e não costuma causar desconforto.
Cuidados que ajudam a proteger a audição
Independentemente da idade, alguns hábitos ajudam a preservar a audição:
- Evite usar fones de ouvido em volume muito alto e faça pausas ao longo do dia.
- Dê preferência a fones que isolem melhor o ruído externo, para não precisar aumentar tanto o volume.
- Em shows, festas e ambientes muito barulhentos, afaste-se das caixas de som e dê descansos ao ouvido.
- Não use cotonetes ou objetos para “limpar” o conduto auditivo, pois isso pode empurrar a cera e causar lesões.
- Se tem diabetes, hipertensão ou outra doença crônica, mantenha o acompanhamento em dia e converse com seu médico sobre a audição.
Perguntas frequentes
Ouvir pior em lugares barulhentos já é perda auditiva?
Pode ser um dos primeiros sinais. Como a dificuldade em ambientes ruidosos costuma ser o primeiro sintoma, vale investigar, mesmo que no silêncio você ainda entenda bem.
Preciso esperar a perda piorar para procurar um médico?
Não. Quanto antes a avaliação for feita, mais cedo a causa é esclarecida e mais opções de conduta existem.
A audiometria é obrigatória?
Ela é solicitada quando o especialista considera necessário, a partir da sua história e do exame do ouvido.
Usar aparelho auditivo é sempre a solução?
Não. A conduta depende da causa e do grau da perda. O otorrinolaringologista indica se o caso pede tratamento, acompanhamento ou aparelho auditivo.
Jovens também precisam se preocupar?
Sim. Segundo a OMS, o som alto no lazer coloca em risco a audição de uma grande parcela dos jovens.
Cuide da sua audição
Perceber que está ouvindo pior pode ser desconfortável, mas ignorar o problema costuma ser pior. Se você se reconheceu nos sinais descritos, ou se alguém próximo já comentou que você aumenta demais a TV ou pede para repetirem as frases, procure uma avaliação.
Quer avaliar sua saúde de ouvido, nariz e garganta? Agende uma consulta com a Dra. Mara Gândara:
(11) 3062-8121 | (11) 99916-5945, Rua Teodoro Sampaio, 407 Cj. 13, São Paulo/SP.





